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blogue atlântico

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30
Set08

O efeito de Paulson

Afonso Azevedo Neves

A decisão de rejeitar o Plano Paulson parece ter dado razões para um aumento do pessimismo nos financeiros nacionais, com repetidos alertas para as graves consequências desta decisão na economia mundial.

James Surowiecki, apresentou num livro de nome “The wisdom of the crowds” uma ideia bastante interessante sobre a possibilidade de, em certas condições, o conjunto de conhecimentos detidos por uma multidão levar a melhores decisões que a do mais esclarecido dos indivíduos nessa multidão. Algo bem diverso da conhecida e real loucura das multidões que leva inevitavelmente a decisões erradas e não raras vezes catastróficas.

 

A relevância dos estudos feitos nesta área são especialmente importantes no que diz respeito aos processos de decisão colectivos em democracia. No entanto, ficou claro que os mesmos processos obedecem a critérios, um dos mais relevantes é a forma como um determinado problema é posto perante todos.

 

Surowiecki dá dois exemplos com resultados opostos, no primeiro uma sala de aula é confrontada pelo seguinte problema: terá de adivinhar quantos feijões existem num frasco transparente que se encontra à vista de todos,  a média dos resultados obtidos por cada estimativa individual aproximou-se espantosamente do número real de feijões.

 

Num outro exercício os alunos são convidados a observar um ribeiro e estimar o desenho do seu leito de forma a encontrar o melhor sitio para o atravessar sem terem de nadar, aqui a média dos resultados fornece uma estimativa optimista e errada enquanto que algumas estimativas individuais quase que acertam em cheio no desenho real do leito desse ribeiro. A decisão colectiva é aqui comprovadamente errada.

 

Onde é que a decisão de rejeitar as ideias de Paulson se enquadra, se no primeiro ou no segundo exemplo, é uma questão cuja resposta ditará o futuro da economia mundial nos próximos tempos.

 

19
Fev08

De regresso das férias do ano novo chinês

Maria João Marques
Concordo com o Ricardo Arroja: a China tem ajudado a estabilizar os activos financeiros em dólares. (Já não concordo com as culpas dos chineses nas maleitas mundiais, pelo contrário, penso que a China tem tido um importante papel a fornecer ao mundo bens baratos; também é imperdoável levar algo a mal a uma economia cujas empresas escolhem nomes poéticos tipo Xian Long Friend, mas isto não interessa nada. E, já agora, a propósito da "mania da réplica e da pirataria", lembrei-me de um caso de há uns três anos atrás: os Estados Unidos protestaram com mais veemência do que a costumeira contra a complacência das autoridades chinesas com a pirataria de produtos americanos. Os chineses, por uma vez, fizeram-lhes a vontade, investigaram muito,  alocaram recursos a este inquérito, colocaram os seus dirty zhangs no terreno e, por fim, prenderam um grupo de norte-americanos que se dedicava à contrafacção em terras dos mandarins.)

Não entendo é a surpresa desta ajuda, visível em alguns colunistas, bloggers (que não o Ricardo Arroja, que por acaso não me pareceu surpreendido) ou comentadores de blogues que pareciam esperar (ou desejar) que os chineses resolvessem vender as suas gigantescas reservas de dólares e provocassem uma desvalorização vertiginosa do dólar e consequente colapso dos mercados financeiros americanos, extinção do Fed, impeachment do Presidente ou outras consequências de igual espetacularidade. Os chineses não são tontos. A última coisa que querem é uma crise grave a afligir o seu grande parceiro comercial que lhe diminua a vontade ou capacidade de importar da China. Por outro lado, desconfio que a desvalorização consistente do dólar não os preocupa muito, afinal os norte-americanos, até há bem pouco tempo, só a ferros arrancavam aos chineses qualquer valorização do RMB face ao dólar.

Fazendo a devida vénia aos lúcidos posts do Henrique Raposo versando "o mundo pós-europeu" e saíndo totalmente do post do Ricardo Arroja, esta questão monetária é ilustrativa da importância que os europeus ainda se atribuem sem perceberem que os seus semelhantes diferem na valorização. A moeda única foi pensada e criada com vários objectivos - que agora também não interessam - e um sonho: o de substituir o dólar como moeda de transacção internacional (enfim, temos que ver que isto se passou há quinze anos e a China ainda não se tinha revelado um tigre tão capaz). Este sonho ainda é partilhado por alguns, que aparentam ser de opinião que uma crise do dólar permitirá ao euro tornar-se a moeda de referência, como se isso fosse do interesse dos países que transaccionam maioritariamente com os Estados Unidos. Entretanto, os chineses dedicam-se a ajudar a estabilizar a divisa que lhes interessa e da qual contam ser herdeiros no longo prazo.
14
Fev08

Um pouco menos de entusiasmo, sff

Miguel Noronha
A notícia que a economia portuguesa cresceu 1.9% em 2007 foi recebida de forma entusiástica por José Sócrates. Existem algumas razões para tal. É a maior taxa de crescimento desde 2001.

Deixando de lado a questão relativa a quem é devido o mérito pelo resultado deste ano (ou a culpa pelo dos anos anteriores) parece que o PM padece de um grave alheamento da realidade quando afirma que "o crescimento do PIB português em 2007 (...) mostra que Portugal reagiu bem às incertezas e dificuldades que a crise do 'subprime' veio colocar às economias mundiais.".

Pela mesma lógica se poderia afirmar que EUA (2.2%), Espanha (3.4%), Reino Unido (3.1%) e os países da Zona Euro (2.7%), para diminuir a excitação com os nossos "entusiasmantes" 1.9%, também revelaram ter superado a crise do "subprime".

O problema, para nós e para Sócrates, é que as verdadeiras dificuldades surgirão no corrente ano. Todos os organismos internacionais reduziram já de forma significativa as previsões de crescimento para 2008. E convém lembrar que em Espanha (de que dependem cerca de 30% das nossas exportações e onde trabalham dezenas de milhares de portugueses) as perspectivas não são nada animadoras.
06
Fev08

Post sobre senhores que sabem muito de empresas

Maria João Marques
"Empresariado anacrónico e analfabeto é a avó de vossa exa. Se o Manuel Carvalho soubesse o que é estar dois anos à espera de um reconhecimento de dívida, mais três à espera do inicio de um processo de execução e outros cinco até perceber que não tem maneira de receber coisa nenhuma; se tivesse um empregado que lhe desaparece durante um ano e ao fim de esse tempo lhe mete um processo no Tribunal de Trabalho e a sentença obriga à reintegração mais ao pagamento sei lá de quanto; se ao fim de um primeiro contrato de seis meses ao não renová-lo a um imbecil ainda lhe tivesse que pagar o equivalente a três ou quatro salários; se soubesse que pode estar doze (doze!) anos à espera de um alvará; se soubesse o que é o Pagamento por Conta, o PEC, o Imposto Autónomo, a Derrama, o Imposto de Selo, o IVA, o ISP, a TSU e as toneladas de taxas e taxinhas que os empresários anacrónicos e analfabetos pagam e mesmo assim contratam esses seres raros e absolutamente extraordinários que são as pessoas que procuram trabalho (não emprego)"

Helder, n´O Insurgente

Concordo e subscrevo. Também com frequência me questiono de que tipo de loucura sofrerei que me faz prosseguir com a minha empresa e procurar novos projectos e novos produtos e novos clientes. Também me debato a espaços com a vontade de fechar o estaminé e não me aborrecer mais. E, sobretudo, também adoro ouvir ou ler as saaaaabedorias de quem nunca pagou ordenados a ninguém.

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