A queda mais abrupta é de Manuela Ferreira Leite, que também por esta via hipoteca as hipóteses de substituir José Sócrates - precisamente quem desce menos - na chefia do Governo. Trata-se, ademais, de um indício de que a estratégia de parcimónia nas intervenções públicas estará a produzir o efeito oposto ao pretendido. JN
Este é apenas o último dado que nos ajuda a compreender como o silêncio em política só é positivo com uma gestão mais pensada. Um dos erros que a maioria dos militantes de um qualquer partido fazem nestes casos, sem que tenham culpa, é presumir que este silêncio se deve a uma opção estratégica pensada pelo conjunto das pessoas que compõem a comissão politica o que pode não ser verdade.
Estou em crer que este, no caso do PSD, se deve a uma opção pessoal da sua líder e vagamente explicada a dois ou três colaboradores mais próximos. O resto está à escuras, sobretudo as chefias intermédias que sem meios para perceber o porquê deste tipo de opção fornecem elas próprias explicações, sendo a mais conhecida a que defende que a crise que atravessamos está a “acabar” com Sócrates e basta ficar à espera porque, naturalmente, o povo português vai procurar uma alternativa. Não vai.
Não se pode estar mais errado, não só a escolha do PM é uma escolha de personalidades como Portugal nunca mudou de chefe de governo durante uma crise, há um “horror” à mudança e sobretudo quando essa mudança personifica opções do passado.
O PSD deve aprender com a magnífica lição de gestão política feita com a farsa Magalhães, uma proposta comercial para “atacar” um novo nicho de mercado e onde José Sócrates agiu como um verdadeiro agente comercial, recebendo os devidos agradecimentos públicos pela parte da Intel e da Microsoft.
Se o PSD e MFL não aprenderam que, neste caso, o silêncio não compensa então esqueçam a solução não está aqui.