Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Câncio, parte 2
Para mim o Henrique Raposo tocou no ponto certo nesta "questão Fernanda Cãncio". Não concordo que Fernanda Câncio seja boa jornalista: confunde demasido informar os leitores com doutriná-los nas suas "causas" e, no meu léxico, isso não é sinónimo de bom jonalista. Em todo o caso o programa da RTP é sobre bairros problemáticos e eu presumo que a ideia não seja fazer reportagens lacónicas; no caso concreto é provável que se deseje empatia e parcialidade do jornalista com os jovens dos bairros sociais. E, como o Henrique Raposo já escreveu, este é um nicho do jornalismo em que o nome de Fernanda Câncio surge naturalmente. Se a jornalista fosse contratada para fazer reportagens sobre algum tema relacionado com a Igreja ainda me veriam a iniciar uma petição para o impedir. Mas não, é sobre bairros sociais. Não vejo o problema.

publicado por Maria João Marques
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Barack Hussein Obama
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Título alternativo: Tão Democratas que eles são (os Clinton).


Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Ainda falta Sapiência
Voltando a Bento XVI e aos seus críticos (e aos meus) ainda direi mais o seguinte (sob a forma curta de versículos, para ficar, esperemos, mais claro, que aqui fui talvez longo de mais).

Não faz sentido exigir a Bento XVI a refutação das suas ideias, a conversão a outras, em nome de Galileu. (A posição é um bocadinho contraditória).

Uma universidade, e ainda mais uma universidade pública paga pelos impostos de todos, deve ser aberta à expressão de todas as ideias.

As ideias agnósticos ou ateias, não-religiosas ou anti-religiosas não são neutras. São posições como outras quaisquer, sem mais nem menos lugar que as convicções religiosas no espaço público.

O caso de Galileu é sobretudo interessante (vide Feyerabend) porque mostra que a ortodoxia não está apenas do lado da Igreja e o rigor não estão apenas do lado da Ciência.

Se só usarmos argumentos de pessoas com quem concordamos em tudo o resto (ergo Ratzinger não pode citar Feyerabend) então o nosso campo de citações fica radicalmente limitado. Toda a gente passa o tempo todo a citar pessoas com que não concorda em muitas outras coisas.

Havia indícios que apontavam para o heliocentrismo, mas eles não eram conclusivos. Galileu até achava que a órbita terreste era circular e não elíptica, algo aparentemente falso (até ver). Portanto a Inquisição estava a ser rigorosa e cientificamente ortodoxa quando dizia que os estudos dele não passavam de uma hipótese.

A Inquisição Romano no processo de Galileu não se baseou apenas na Escritura, mas também na Ciência. Não se limitou a dizer: isto não consta da Bíblia logo é falso. E o facto de não o ter feito é bem interessante e mostra como mesmo em tempos negros e ao serviço de más causas a Igreja Católica não fechava completamente a porta às ciências.

Alguém hoje na Igreja Católica defende a ressuscitação da Inquisição à século XVII? Se sim, digam quem. Esse é um fantasma velho de séculos que é bom para assustar criancinhas e adultos com mentalidade infantil.

A Esquerda ou a Direita podem ter muitas culpas em muitas coisas, mas não vejo o que tenham a ver com este assunto.


Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
Flat, diz ele
O título tem a sua quota-parte de demagogia e de «espectacularidade»: ”Mar volta a estar flat no Atlântico”. A conclusão é de Daniel Oliveira e baseia-se em dois factos: o Tiago Mendes saiu do blogue da Atlântico e o André Azevedo Alves (a nova bête noir da esquerda chic e da direita dita «esclarecida») fará parte do Conselho Executivo da revista.

Em primeiro lugar, o erro: o AAA já fazia parte do Conselho Editorial da revista.

Em segundo lugar, o Daniel acha que o Tiago Mendes era o agitador das águas, a consciência liberal do blogue, o representante da direita livre e desempedernida com quem a esquerda igualmente livre e liberal podia debater de forma construtiva e estimulante, o garante, para os que aqui se passeavam, de não esbarrarem invariavelmente com opiniões «fascizóides», antiquadas e preconceituosas, saídas de seres maniqueístas cujo pendor hiper-religioso os empurra para a caverna de todos os obscurantismos. Um herói, portanto. E agora, pelo vistos, um mártir.

Longe de mim fazer a apologia do André Azevedo Alves ou a condenação do Tiago Mendes. Nem o André Azevedo Alves é o Diabo e o reaccionário que agora o pretendem pintar, nem o Tiago Mendes é o senhor da suprema benignidade e da etérea tolerância. Dito de outra forma, ninguém é perfeito. No final, os actos ficam com quem os pratica e as opiniões são de quem as profere. A revista Atlântico não tem uma voz uníssona nem um corpo homogéneo de articulistas manga-de-alpaca, dirigidos por um comité e ao serviço de uma ideologia. A liberdade aqui é total. Os limites são ditados pelo bom senso – conceito difuso e subjectivo – e pela educação - bem mais objectiva. Por aqui nunca encontrarão patrulhamentos censórios ou directrizes da cúpula.

É por isso que a «boca» do Daniel Oliveira é injusta e tortuosa. Basta carregar no link “Os Atlânticos”, no topo do blogue, para perceber que este não é um blogue aparelhista, amorfo, dirigido por um bando de meninos acéfalos cuja moleza insípida os entrega ao pensamento único.

Não é a primeira vez que o Daniel Oliveira faz generalizações deste calibre e enfia toda a gente no mesmo saco. Nem será a última. Há uns posts atrás, disse que eu me referia às pessoas de que discordo como «canalhas». A acusação seria cómica não fosse injusta e ofensiva. Nunca o fiz. Lembro-me de apelidar os militares que torturaram presos de guerra em Abu Ghraib de «canalhas». Não me recordo – mas estou certo de que o faro inquisidor do Daniel tratará de me contradizer e de me encomendar ao Inferno – de outros casos concretos. No dia em que julgasse as pessoas de que discordo como «canalhas» fechava o boteco e entregava-me às autoridades.

Há canalhas? Há canalhas. Felizmente, conheço poucos. Em relação a estes, não tenho grandes problemas em carimbar-lhes o epíteto. Lamento desapontar o Daniel, mas nunca o considerei um canalha. De resto, raramente utilizo o termo. Costumo colocá-lo ao serviço da (auto) ironia e do sarcasmo. Não perceber a diferença é estúpido. E o Daniel Oliveira não é estúpido. Nem parvo. É distraído, malandreco, propenso a deturpações e a imprecisões. Como todos nós, aliás. Uns mais que outros, é verdade. Pena é que ele não se retrate mais amiúde e não reconheça, também, os seus preconceitos e a falência da sua suposta superioridade moral.

O Atântlico está flat? Paciência Daniel.

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
O homem da boa direita
Durante a mais recente polémica que animou as hostes atlânticas e que colocou em epilepsia os abutres do costume - que com as suas doutas opiniões encheram sofregamente as caixas dos comentários, naquilo a que popular e comummente se designa de “lançar gasolina para apagar o fogo” – achei imensa piada ao facto do Carlos Abreu Amorim não ter resistido – é fraca a carne – a dar mais uma vez a sua opinião sobre a Direita e a revista Atlântico, sob a égide de um velho numero circense que em tempos ele patenteou e que se designa “eu-é-que-sei-qual-é-a-boa-direita-porque-eu-tudo-vejo-e-tudo-prescruto -e-quem-manda-dizer-quem-é-quem-na-boa-direita-sou-eu-porque-eu-é -que-sou-o-presidente-da-junta-da-boa-direita-que-para-quem-não-sabe -é-a-direita-liberal-mas-não-qualquer-direita-liberal-apenas-a-minha-que -é-aquela-que-eu-indicar”. É mais ou menos o mesmo que ter o Paulinho Santos ou o Materezzi a dar uma lição de moral sobre fair play.

PS: Também gostei muito do numero de virgem ofendida do Daniel Oliveira, como se ele próprio tivesse sido todo este tempo - no Blogue de Esquerda, no Barnabé, no Aspirina B e no Arrastão - um anjinho do qual nunca saiu o mais leve impropério, a mais inconsciente calúnia, o mais ingénuo dos erros, estando sempre do lado certo.

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Precedentes
O Tiago Mendes já aqui abordou a notícia do acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, que considerou justificado e legítimo o despedimento de um cozinheiro por ser portador de HIV, mas gostava de contribuir com mais algumas notas. É preciso relembrar que os três juízes requisitaram um parecer científico para o caso, tendo este indicado que não existia perigo de contágio pelo suor e pelas lágrimas, logo "parece injustificado considerar o trabalhador como não apto para a realização de tarefas no Restaurante do Hotel" (pág 19).

Os juízes encarregados do caso, como é óbvio, não têm que compreender a priori os problemas médicos associados com o caso. Daí que seja requisitado um parecer de uma equipa de peritos da área em causa, de modo a esclarecê-los. O facto do acórdão ignorar a conclusão da equipa médica abre um perigoso precedente. O parecer médico assume neste caso quase o papel de uma mera opinião de consulta, podendo ser descartado consoante a opinião do juiz, quando neste caso é crucial e indispensável para a decisão final.

Em segundo lugar, vale a pena recordar que actualmente não existe nenhum (podem procurar na PubMed) estudo epidemiológico que prove a possibilidade de contágio do HIV pelo suor e pelas lágrimas. Para compreender como a simples hipótese apenas contribui para espalhar uma mensagem errada sobre as formas de contágio do vírus, basta ler as reacções de vários infecciologistas a propósito da notícia: «José Vera, responsável pela unidade de tratamento de HIV/sida do Hospital de Cascais, considera que dizer que o suor, lágrimas ou saliva podem transmitir o HIV "é um disparate completo". O presidente do colégio de especialidade de doenças infecciosas da Ordem dos Médicos, António Sarmento, reforça: "Há apenas três vias de transmissão conhecidas e tudo o resto é especulação." »

publicado por Bruno Gonçalves
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
Para já, três
Sobre a Educação e o respectivo «sistema», tratemos dos mitos:

Mito n.º 1: “A solução não passa por injectar mais dinheiro”.
Só um ignorante ou um idiota útil pode afirmar uma coisa destas. Regra geral, as escolas públicas, em Portugal, estão mal equipadas, têm instalações miseráveis, há falta de pessoal (professores e auxiliares) e qualquer actividade extra-curricular que envolva o mínimo esforço financeiro está votada ao fracasso. Alguns exemplos banais e (re)correntes: a) a escola do ensino básico que a minha filha frequentou, recorria, todos os anos, à caridade dos pais para comprar papel, toner para a fotocopiadora e os mais elementares artigos (canetas, cartolinas, etc.); b) no Inverno, a referida escola raramente tinha dinheiro para comprar a lenha cuja combustão em salamandras subdimensionadas serviria, supostamente, para aquecer as salas de aula (invariavelmente geladas); c) quando uma das auxiliares meteu baixa para cuidar de um filho enfermo, a escola ficou, durante semanas, apenas com uma funcionária para acompanhar o recreio de cerca de oitenta alunos (entre os 6 e os 10 anos), controlar as entradas e saídas da escola, limpar e arrumar as salas de aula, e, finalmente, varrer o chão, recolher e depositar o lixo (foi uma sorte não ter recorrido a baixa psiquiátrica); d) na escola que actualmente a minha filha frequenta, a insonorização, entre salas, é vergonhosa; o ginásio está miseravelmente equipado; as salas de convívio são paupérrimas; as salas de aula são frias no Inverno e um forno no Verão; a turma da minha filha é constituída por 28 alunos (às vezes 30…) e, repare-se, foi considerada a melhor escola de Évora.
A solução pode passar pela reorganização das escolas – ao nível das competências e da autonomia, por exemplo – e por uma melhor gestão dos recursos. Mas passa, invariavelmente, por mais dinheiro. Como diria Shakespeare, sem ovos não se fazem hamlets.

Mito n.º 2: “As escolas privadas são, por regra, melhores que as escolas públicas.”
À excepção de uma dúzia de escolas de «elite» (onde, de facto, as instalações e os meios, a qualidade dos professores, o reduzido numero de alunos por turma e a própria selecção dos alunos fazem toda a diferença), as diferenças são marginais e, nalguns casos, as posições invertem-se. A questão é diversa: retirando as tais escolas de «elite», os resultados são genericamente maus. E isso deve-se a questões mais profundas e endémicas. A geração actual (de professores, gestores, auxiliares, etc.) é filha de um sistema que não premiou a excelência, promoveu a mediocridade, permitiu o regabofe, institucionalizou o eduquês e entreteve-se a mascarar estatisticamente o insucesso escolar.

Mito n.º 3: “A condição social do aluno não tem qualquer, ou tem muito pouca, influência sobre a sua performance escolar”
É óbvio que sim. Os alunos provenientes das classes alta ou média-alta têm uma maior probabilidade de serem melhor educados (em casa) por pais que, também eles, transitaram de meios mais favorecidos (materiais e intelectuais). Um aluno que seja bem educado em casa tem maior probabilidade de ser organizado, de respeitar a autoridade, de pensar pela sua própria cabeça (e não pela do bando) e de se aplicar. Não quero com isto dizer que não há meninos pobres inteligentes e bons alunos, nem meninos ricos burros e péssimos alunos. Estou a falar de probabilidades e correlações, empiricamente evidentes. Nem estou a defender que a escola anule e substitua a família na educação das crianças (por inépcia desta). Um sistema de ensino público tem a obrigação de, controlada e moderadamente, ou seja, dentro das suas limitações, transmitir conhecimento e educação a quem não a conhece ou conhece mal. O problema é que este desígnio, ou propósito, tem limites. Não se pode exigir da escola aquilo que ela não pode dar. É um equilíbrio difícil e muitas vezes precário, mas que tem de ser tentado. Mas nunca, obviamente, pela via do facilitismo e da falta de autoridade. O que nos remete, claro, para a falência dessa entidade meio obtusa, no dias que correm, chamada «família» - onde putativamente deveria haver disciplina, uma hierarquia, dedicação educacional e emocional - razão maior do descalabro de todo o sistema.

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Domingo, 7 de Outubro de 2007
Incompatibilidades
«Some Muslim medical students are refusing to attend lectures or answer exam questions on alcohol-related or sexually transmitted diseases because they claim it offends their religious beliefs.
Some trainee doctors say learning to treat the diseases conflicts with their faith, which states that Muslims should not drink alcohol and rejects sexual promiscuity.
A small number of Muslim medical students have even refused to treat patients of the opposite sex. One male student was prepared to fail his final exams rather than carry out a basic examination of a female patient.»

Creio que é consensual que nestas circunstâncias, os estudantes sejam reprovados e afastados do curso, não estando aptos para a prática clínica. Mas esta notícia do Times, traz à discussão uma outra perspectiva, já abordada em parte aqui pelo Pedro Morgado.

Segundo o Código Deontológico dos Médicos: «O Médico tem o direito de recusar a prática de acto da sua profissão quando tal prática entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária, ou contradiga o disposto neste Código.»

Tal como o Pedro refere, o facto de um médico achar condenável um certo comportamento que levou uma pessoa a apresentar-se no Serviço de Urgência com uma determinada condição, não é uma razão válida para se recusar a salvar a sua vida abstendo-se de efectuar o procedimento médico indicado.

Será que se abriu um precedente, quando existem médicos que se recusam a efectuar abortos? Não. A objecção de consciência aplica-se apenas a um procedimento médico que em circunstâncias normais não seria necessário. Ocorre na grande maioria dos casos, em que a mulher possui uma gravidez normal, sem complicações, mas por opção pessoal decide terminá-la. Nesta situação, não nos deparamos com nenhuma emergência médica que necessite de uma intervenção. Todavia, num caso de anomalia fetal, ou outro motivo em que a vida da mãe esteja em risco, não há qualquer objecção de consciência para o médico que esteja a efectuar o procedimento, desde que tenha o consentimento da mãe.

O Pedro pergunta ainda: até que ponto estamos dispostos a prescindir do consenso e da evidência científicas para respeitar as alegadas convicções religiosas dos profissionais de saúde.

Uma resposta ideal não existe, creio. Qualquer alteração deste "equilíbrio" seria um perigoso precedente. Em último caso, julgo que a melhor opção seria a criação de um conselho médico que se dedicasse a lidar com este tipo de situações. Seria uma estrutura semelhante a um supremo, que decidisse sobre determinados casos de acordo com a constituição, neste caso com base no código deontológico. A solução não é perfeita, mas não creio que as outras alternativas sejam melhores.

publicado por Bruno Gonçalves
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007
Tentando manter um low profile na discussão…
Para os interessados em demogogia securitária e irresponsável, este artigo deve ser bem "pior" que muitos dos discursos feitos em Portugal. E eu ainda a recomendar a visão estratégica do senhor...

publicado por Bruno Gonçalves
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Sábado, 8 de Setembro de 2007
Viva a Suécia
Tenho como princípio que todas as opiniões, a partir do momento em que são emitidas podem ser ofensivas. Cresci a pensar e a acreditar que quem se sente ofendido recorre aos tribunais (e como Pedro Mexia uma vez escreveu a propósito dos cartoons publicados num jornal dinamarquês) protesta, responde, escreve cartas, faz petições, exprime o seu desagrado por meios pacíficos. Mesmo quando se tratam das opiniões mais ofensivas, estúpidas e as que apenas têm apenas falta de gosto. É isto que define a liberdade que venero e que Sumayyah Meehan jamais professará. Pode e deve-se contestar opiniões, jamais diminuir ou atacar a liberdade de expressão. É este o choque civilizacional que derrota as elites muçulmanas e os relativistas de esquerda.


Terça-feira, 4 de Setembro de 2007
Olá, boa noite, eu gosto do Pacheco Pereira
Ao contrário da maioria dos meus colegas – aqui no blogue da Atlântico ou acolá no 31 da Armada- eu gosto do Pacheco Pereira (perdoar-me-ão o coloquial "do" ao invés do formal "de"). Mas há em Pacheco Pereira uma espécie de estupidez latente sempre que ele regurgita o seu nojo e o seu ódio de estimação em relação aos putativos blogues e simpatizantes do Paulinho e do seu partido (ou, de forma mais abrangente, da direita «chique» e «popular»). O asco que Pacheco Pereira tem de Paulo Portas tolda-lhe o bom senso e coloca-o num perene exercício de má-fé, desconcertante e feio. Mas é a isso que assistimos: na hora do ataque, Pacheco Pereira cega e embrutece de forma pouco edificante e acima de tudo nada elegante. Os insultos gratuitos – velados ou não – dirigidos à suposta «canalha» seguidista do PP - partido e persona – vão contra a sua imagem de «homem sério» e delapidam o capital de respeito intelectual que sempre nutri por ele. É um facto que, ao contrário dele, eu não sou nada e poucos (estou ao ser optimista) se importarão com o que penso. E Pacheco Pereira estar-se-á certamente nas tintas para a minha verbosa opinião.

Ainda que para uma pequena paróquia, insisto: a forma como Pacheco Pereira põe no mesmo saco toda e qualquer criatura que escreve neste ou naquele blogue, ou nesta ou naquela revista que ele elegeu como vulgares e canídeas «vozes do dono», não passa de falta de respeito e de desonestidade intelectual. Há por aqui e por outros poisos gente que nada tem que ver com o PP e o Paulo Portas e o Telmo Correia e o raio que os parta (e mesmo que tivessem, merecem respeito), mas, ainda assim, para Pacheco Pereira fazem parte da mesmíssima corja, com a mesmíssima «agenda», defendendo os mesmíssimos «interesses» e odiando-o a ele como se odeia o pior inimigo. Trata-se de um tipo de desonestidade que se vislumbra à distância, por exemplo, em Jorge Coelho e não era suposto sentir-se em Pacheco Pereira. Um tipo de ataque injusto, cegamente generalista e puerilmente desleal que era suposto estar erradicado do modus operandi de Pacheco Pereira - homem de letras, racional, inteligente, um pouco deslumbrado e assombrado mas quase sempre senhor de bom senso. Contudo, não está. Estranha e desgraçadamente, digo eu.

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
Protejam os machos
Homens com maxilares largos, narizes maiores e olhos mais pequenos foram classificados como dominantes, infiéis e maus pais.

Quem o diz são as mulheres e os homens. Não sei se as criancinhas foram ouvidas.

publicado por Rui Carmo
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
O Zyklon-B é bom, é bom, é
Numa caixa de comentários, mais abaixo:
Os mártires que morreram (e que não deixarão de ser vingados a seu tempo com juros elevados) eram PATRIOTAS DA RESISTÊNCIA que cumpriam o dever moral e patriótico de atacar as forças ocupantes das SS Tsahal. Do ponto de vista do direito internacional, a resistência ARMADA ao ocupante é sempre legítima (defesa) ao passo que a ocupação é sempre um crime de guerra passível de forca. É isso que acontecerá: os criminosos nazi-sionistas-apartheidescos serão justiçados…mas talvez pelo sabre, segundo os costumes locais ! Porque Deus é grande !
Euroliberal

Caríssimo Euroliberal,

Começo pelo óbvio: V. Exa. é o máximo. Em apenas oito linhas, V. Exa. revelou uma macedónia de emoções e sentimentos: o seu radicalismo, a sua intolerância, a sua falta de sentido de justiça e de equidade, uma profunda ignorância da História e, em jeito de cereja em cima do bolo, a boa da tese da «ocupação», fazendo crer que a comunidade judaica que ali se instalou, mais o seu Estado de Israel, ocupou outro país, num território que lhe era estranhíssimo (tendo expulsado, para o efeito, um povo homogéneo chamado de «palestiniano»). Em apenas oito linhas, é obra. E foi tanta a informação que V. Exa. nem reparou que a sua lógica – a da resistência – serve da mesmíssima forma como argumento o outro lado, ou seja, Israel. Eles também tentam «resistir» aos agressores, não é? Ah, pois, já sei: Israel é que é a «potência ocupante»! Tem V. Exa. toda a razão. Israel está ali a mais. Caramba!: aos judeus poder-lhe-ia ter sido entregue outro pedaço de terra em local bem mais familiar como, sei lá, Portugal, Alemanha, Itália, Tunísia, Mónaco, Luxemburgo, etc., não acha? Mas também já viu a chatice que era para os portugueses, alemães, italianos, tunisinos, monegascos, luxemburgueses, etc., serem «ocupados» por aquela corja? Vá, V. Exa. confesse: eles deveriam ter sido dizimados e pronto, não é? Hitler ficou aquém do desejável para a humanidade, não foi? Estes judeus só têm feito merda ao longo de séculos, não é? São um empecilho do caraças, não são? Por que carga de água se lembraram eles de sonhar com um local de acolhimento, com uma pátria, quando poderiam belamente continuar a viver nas suas comunidadezinhas em cada país? Bom, é certo que, e V. Exa. certamente concordará, essas comunidadezinhas, apinhadas de judeus, também só davam chatices. Sobretudo porque eles até eram bons naquilo que faziam - acumulavam riqueza, eram inteligentes, destacavam-se nas artes, etc. – e isso, às vezes, acabava por revelar a mediocridade vigente ou despoletar a cobiça e a inveja. Só chatices. Portanto, só nos resta uma alternativa. Para que é que havemos de andar aqui a perder tempo? Com sabre, diz V. Exa.? Pouco prático. Arcaico, até. Eu aconselharia o Zyklon-B. Já se revelou bastante eficaz, no passado. O que é que acha?

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2007
Barroso anuncia o novo Império
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The EU is not just any old international organisation, nor is it a superstate, but it might just be an "empire," according to European Commission chief Jose Manuel Barroso.

Comentários e polémica no EU Referendum.

publicado por Miguel Noronha
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Domingo, 1 de Julho de 2007
Paternalismo Inflamado
O Pedro Marques Lopes é que "encontrou" o termo acertado para classificar esta discussão que grassa pela blogosfera - inflamar. Foi uma boa escolha. Sinceramente não sei qual a origem deste paternalismo inflamado que grassa pela blogosfera. Eu já nem percebo qual é mesmo o cerne da questão, mas já se chega ao ponto de citar uma ou outra evidência "científica",  cujo objectivo e contexto são geralmente dúbios. Porém, essa procura e discussão é completamente secundária, já que o que está em jogo são "valores" mais altos.

Obviamente, cada um é livre de opinar o que bem entender sobre determinado tema, mas causa-me alguma perplexidade, confesso, a mistura e a forma tendenciosa com que a blogosfera liberal anda a discutir certos temas. Eu posso não ter sido completamente inocente, mas tento ser honesto comigo mesmo nos meus textos. E enquanto a discussão continuar assim, nada como voltar a ler este texto do Tiago.

publicado por Bruno Gonçalves
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Obviamente discordo
Se "[a]conselhar X a um adulto é paternalismo" será melhor deixarmos de escrever em blogs, jornais e (já agora) deixarmos de emitir qualquer tipo de opinião para não corrermos o risco de influênciar alguém.

publicado por Miguel Noronha
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Uma distinção importante (II)
Ser liberal não significa abdicar de opinar.

publicado por Miguel Noronha
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Uma distinção importante
Aconselhar não é o mesmo que impor

publicado por Miguel Noronha
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
O progressismo avança, a liberdade retrai-se
Prevendo-se pouco oposição, irá ser hoje aproavada a nova lei do tabaco. Ainda que a versão final seja menos intolerante que a proposta inicial, esta continua a tratar os consumidores como crianças e a dispor da propriedade privada para fins públicos.

Perante políticos que insistem em confundir Poder com Legitimidade começa a restar pouco espaço para a liberdade individual.

publicado por Miguel Noronha
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Deal with it
Diogo Vaz Pinto, que me trata amigavelmente por «rapaz», deixou um comentário no meu anterior post (“Ofendidinhos”) sob o nickname de "Muçulmano". E publicou um texto todo catita no seu blogue. Batendo-me forte e feio (assim é que é!), alinhou-me na «nova direita», pôs-me palavras na boca (“Um par de estalos nesses filhos da puta é o que eles precisam para se deixarem de merdas, não? Porque não há jeito nenhum a dar, é bater ou apanhar”), exigiu «compreensão» e considerou o meu texto «inutilmente agressivo», capaz, pasme-se, de incitar ao ódio e à intolerância. Porquê? Porque eu sugeri que desprezássemos (leia-se «ignorássemos») as burlescas e estapafúrdias reacções da «rua muçulmana» face a actos, comportamentos ou manifestações do «lado de cá» que, objectivamente, não ofendem a religião muçulmana. Pelo meio, confessou, ou reconheceu, a nossa «superioridade» enquanto civilização (curioso tê-lo feito) e, como «superior» que é, entende que deve ser a primeira a condescender face aos bárbaros, aos incompreendidos ou às vítimas. Sim porque, das três uma: ou o Ocidente os pôs a pão e água (vítimas), ou estagnaram no tempo (bárbaros) ou, ainda, cultivam um estilo e um comportamento próprio e ninguém tem que ver com isso (incompreendidos).
Vou repetir o que escrevi:
”Há uma ostensiva cultura de ódio no mundo muçulmano, disseminada em muitas franjas (so they say…), contra o estilo de vida ocidental e, em particular, contra aquilo que a liberdade (de expressão, religiosa, sexual, etc.) parece permitir.(…)
As recentes reacções à condecoração de Rushdie pela rainha de Inglaterra, atestam na perfeição até onde a cegueira fundamentalista pode chegar. Do lado de cá, espera-se uma só posição: desprezo. Uma coisa ter-se-á que aprender, nem que seja na escola e desde tenra idade: não podemos ficar pendentes de fatwahs, birras ou iminentes indignações do mundo muçulmano, por suposto delito de opinião.
A matriz moral, as garantias e os direitos adquiridos e sedimentados ao longo de séculos, não podem ser postos em causa pelos próprios. Sobretudo, ou tão só, quando não há razões objectivas - de facto e de júri - para tal acontecer (já a reacção de Khomeini aos Versículos Satânicos tinha sido, então, absolutamente ridícula). A capitulação moral e mental do ocidente face à reacção dos «ofendidinhos» tem limites. E tem de acabar.

Em primeiro lugar, não percebo por que razão o Sr. Diogo Vaz Pinto chama para a discussão a Direita (nova, velha, whatever). Esta questão tem muito pouco que ver (ou nada) com dicotomias ou espartilhos ideológicos. Mas, tudo bem. Parece-me desnecessário e inglório estar aqui a explicar isto. Que seja a má da Direita, então. Passemos à frente.
Em segundo lugar, tive o cuidado de falar em «franjas», ou seja, tal como Christopher Hitchens, ainda acredito que não é a maioria que se esperneia na passeata ou que queima bandeiras dinamarquesas na rua ou que quer matar o maior número de infiéis para que estes aprendam a lição.
Em terceiro lugar, falei em «desprezo», ou seja, em «ignorar» as reacções que me parecem (posso?) estupidificantes e ridículas. Não incitei ao ódio, não propus sevicias de vária ordem, não acenei com estalos, murros, prisões, câmaras de gás, campos de concentração, 24 horas seguidas de O Preço Certo, etc. Perante aquele tipo de reacções (na rua e não só) e face ao que estava em causa (a condecoração de um escritor), não há grande compreensão ou diálogo a encetar. Não vale a pena. É conversa de surdos. Parece-me que a atitude mais sábia e óbvia é virar costas. Ignorar. Por cansaço, entenda-se. Cansa ver a forma como certos muçulmanos se ofendem por tudo e por nada (já os seus podem fazer o que querem que não ofendem ninguém, como implodir estátuas, destruir monumentos, explodir mesquitas «inimigas», etc.). E cansa ver como certos articulistas, intelectuais e senadores, na ânsia de «compreender» e «justificar» o pateta e o patético, esquecem valores supostamente universais – o direito à diferença, o direito à liberdade de expressão, o direito à liberdade religiosa – acabando por tratar a generalidade dos muçulmanos como atrasados mentais. Porque é isso que Diogo Vaz Pinto faz, perante uma questão que é simples e pacífica. O que Diogo Vaz Pinto parece querer dizer é mais ou menos isto: “coitados, há que ter pena, há que ser tolerante, há que compreender os bárbaros/desgraçadinhos/pobrezinhos porque eles não sabem o que fazem e na maior parte dos casos a culpa é nossa que somos superiores e, vejam bem, ainda ajudamos Israel e etc e tal. Venha de lá um contentor de má consciência para a mesa do canto, se faz favor. Olhemos os manifestantes aos gritos e gritemos, em uníssono: “there but for the grace of god go we”!"

Mais. Diogo Vaz Pinto esquece que há um cada vez maior número de muçulmanos – proeminentes ou não – que se envergonham e criticam a reacção dos seus, por vezes de forma bem mais acintosa do que a minha, reclamando uma espécie de «renascimento» para as suas sociedades. São estes os «tolerantes» que devem ser apoiados. Porque carregam consigo o tipo de tolerância e o espírito crítico que nos permitiu avançar em termos civilizacionais. O qual deveríamos cultivar orgulhosamente, mas sem esquecer os limites. Como em tudo na vida, a tolerância e a compreensão têm limites. Parece-me claro, isto. As reacções coléricas e violentas por parte de certos muçulmanos em relação à decisão da rainha de Inglaterra inscrevem-se no grupo das «intoleráveis». Com isto não quero dizer que esbofeteemos ou violentemos os manifestantes. Diogo Vaz Pinto recorre à má-fé quando vislumbra estas conclusões no meu post. Com isto quero dizer que, tal como outras, no passado, não há que pedir desculpa, retirar revistas ou jornais de circulação, emitir desagravos ou explicações. Não pode haver lugar a uma espécie de capitulação cobarde face ao que não tem desculpa. São «eles» (os fundamentalistas e os intolerantes) que estão tremendamente errados e equivocados. Eles que «compreendam» isso.

publicado por Carlos do Carmo Carapinha
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Experts
Segundo o Pedro Marques Lopes, sobre o tema "como incluir as comunidades homossexuais na nossa sociedade", ninguém se atreva a opinar sobre a matéria, sem ser um expert no tema. Eu, na minha ingenuidade, argumentei que a meu ver, aquele tipo de manifestações não contribui para a causa a que os homossexuais se dedicam. Aparentemente, não poderia ter publicado tal comentário sem ser um expert no assunto.

1. O facto de eu achar que esta não é a melhor estratégia, não me torna menos ou mais homofóbico que o Pedro. Eu não defendo a proibição das paradas, visto que cada um é livre de fazer o que bem entender. E devo dizer, que não creio que a comunidade homossexual esteja completamente de acordo neste tipo de marchas. Mas pronto, quem sou eu para dizer estas coisas, visto não conhecer bem a comunidade... Deixo para os experts e os consultores que o Pedro anda à procura.

2. Eu nunca afirmei que "milhões de adultos não sabem defender as suas causas". Eu critiquei apenas uma marcha por um conjunto de pessoas, cujos objectivos, não creio que tenham sido alcançados. Mas sei lá, posso estar enganado. Não tenho problemas nenhuns com isso. Porém, para o Pedro uma coisa parece que é certa: quem não está a favor da parada, está certamente contra os gays.

publicado por Bruno Gonçalves
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3, 2, 1… podem chamar-me homofóbico!
Parece que uma parte da blogosfera ficou chocada com alguns comentários que circularam por vários blogs, acerca da parada gay. Confesso que fiquei surpreendido. Muitos desses blogs, aqueles que estão chocados com a falta de tolerância, etc. etc., caso simpatizassem verdadeiramente com a causa da intolerância em relação à comunidade homossexual, deviam ser dos primeiros a aconselhar que se evitassem este tipo de desfiles, que têm todos os efeitos possíveis, excepto, o de promover uma aceitação plena na nossa sociedade.

Um dos entrevistados da parada, dizia com todo o bom senso que queria ser tratado como todas as outras pessoas, independentemente da orientação sexual. Obviamente, só posso concordar. Só não percebo é porque participou numa parada a gritar a sua orientação sexual. Enfim, haja coerência.

publicado por Bruno Gonçalves
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Domingo, 24 de Junho de 2007
Sobre o paternalismo dietético
Recomendo a leitura dest post de Rodney Balko, em especial a trancrição da sua comunicação à Congressional Hunger Fellowship.

I'd like to begin my presentation by asking a pretty simple question: Why are we here? Why are we talking about obesity just a few blocks from the U.S. Capitol in a setting and format usually reserved for discussions of public policy? Why did the U.S. Surgeon General recently say that obesity is "every bit as threatening to us as the terrorist threat?" How did such a private, personal decision -- what we put into our bodies -- become fodder for television anchors, newspaper writers, and lawmakers? More importantly, if our pants size, dinner plates, and the content of our refrigerators becomes subject to politicians and regulators, what in the world is left that could properly be deemed "personal," and beyond the purview of government?

My question for the nutrition activists is, why is it any of your business? Shouldn't people be allowed to make their own decisions -- even bad ones?(...)

So what about the kids? Shouldn't we at least put some protections in place prevent kids from being preyed upon by advertisers?

I'd argue "no."

Studies from the University of North Carolina actually show that overall caloric intake among kids is up just 1 percent over the last 20 years. Kids really aren't eating much more these days. Activity levels are down more than 12 percent. That too me suggest that kids aren't falling victim to nefarious marketers so much as staying inside and playing more video games. It's not even clear that kids are eating the wrong foods. A an article in Nutrition Review says that the amount of calories kids get from fat has been on a downward trajectory since the mid-1960s.

The places that have tried policies such as banning marketing to kids haven't had much success. Sweden, Norway, and Quebec all have such restrictions in place, and they really haven't had much effect on childhood obesity at all. Sweden in fact has had a ban in place for nearly a decade, and its obesity rates have steadily risen with the rest of Europe's.(...)

Governments of free societies are first and foremost charged with securing liberty. That most certainly includes the liberty to hold bad habits.


publicado por Miguel Noronha
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007
Conservative on Abortion?
Giuliani: Conservative on Abortion?, por George Will
The party asserts that one of America's most common surgical procedures is murder. So, last year, perhaps a million women and their doctors committed murder. However much a person deplores abortion and embraces that legal logic, nobody believes that either the legislation or the constitutional amendment that Republican platforms have praised will be passed. Hence the sterility of today's abortion debate. And hence the inclination of some social conservatives to focus on limiting abortion by changing the culture, and their willingness to evaluate candidates by criteria unrelated to abortion.

Writing in The New Republic, Thomas B. Edsall notes that in the late 1980s voters by a 51-42 margin believed that ``school boards ought to have the right to fire teachers who are known homosexuals.'' Today voters disagree, 66-28. In 1987, voters were evenly divided on the question whether ``AIDS might be God's punishment for immoral sexual behavior.'' Today voters disagree, 72-23.

Recent Pew polling shows that a combined 48 percent of Republican voters say Iraq (31 percent) or terrorism (17 percent) is their principal concern. Abortion? Seven percent. Gay marriage? One percent.

Edsall wonders whether Giuliani, who is appealing to ``the Republican longing for managerial competence'' with his ``idiosyncratic brand of conservatism,'' might be a transformational Republican figure. But perhaps his conservatism is not idiosyncratic. Perhaps it is, in a way, traditional. Perhaps some conservatives are really serious about turning back the clock. To 1972.


publicado por Bruno Gonçalves
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Obama, Barack (2)
Embora não partilhe da opinião tão pessimista do HO sobre Obama, acho que este comentário foca alguns dos pontos fracos do candidato:

“votava no Obama sem pensar duas vezes.”


Nem sequer uma.

Obama fascina porque é telegénico, crocante e com sabor a manga/abacate. É o síndrome da “celebridade instantânea”.

Os discursos do Obama são tão vaniloquentes, despovoados e frívolos que me parece estaticamente provável qualquer pessoa concordar, em todos eles, com um terço, discordar de outro e ficar indiferente ao restante. A frase que o HR cita, mera variação de um mote milhentas vezes repetido, e nem sequer especialmente inspirada, é óptimo exemplo. É, numa analogia indígena, um híbrido de Sampaio com Sócrates - as proporções são, no caso, tudo.



Mas pronto, é um produto da fusão dérmica, com bom aspecto, e isso por si só, acarreta carradas de simbolismo. O assunto é sério (e recorrente), mas não me apetece elaborar sobre ele - basicamente, é o regresso ao tempo sofístico do corpo enquanto envelope e a imagem da alma. Quanto ao resto, Bloom, Steiner e toda a trupe dos pessimistas culturais têm boas pistas.

Também se diz que tem grande ideias. Infelizmente, ninguém parece ter um vislumbre claro (no pun intended) de quais possam ser. Eu li 100 páginas do livro dele, fiz diagonal nas restantes, e percebi que a hope é um vago vocábulo de newspeak para a egofania. É como Agostinho, mas epidérmico e upsidedown. Mas imperdoável, ainda mais num tipo que se quer sentar na cadeira de Reagan, é não se encontrar um pingo de humor (voluntário), de wit. É tudo emocional, lamechas, mas sério. Obama é a versão política do que Oprah é na tv e os modernos evangelismos são na religião: nenhum conflito, tudo docinho, tudo se perdoa, nada de julgamentos morais - pelo menos, dos consequentes.

Curiosamente, já existiu outro Obama, nos anos 80. Chamava-se Gary Hart e também era fresco, honesto e tinha “great ideas”. Um senhor chamado Walter Mondale arrumou-o num debate televisivo com esta simples pergunta “Where’s the beef?”. Se calhar, nos dias de hoje, já não será suficiente. Bush também foi eleito devido à graça pessoal e ao “very light résumé” (aposto que em 1999 o HR votaria sem pensar em Bush em detrimento de McCain). Blair também não hostilizava ninguém e era abrangente. Obama só aprofunda a tendência: é mais liofilizado e as cândidas confissões de fraqueza que encantam a doméstica moderna são mais apuradas (bourbon? na, cocaína). E conta com uma enorme vantagem: “carries no baggage” (o que, em tempos civilizados, o desqualificaria automaticamente como candidato à Casa Branca). Por isso, diz que foi contra a guerra desde o princípio, embora ninguém possa saber como votaria ele se tivesse no senado. Apesar de o que diz hoje sobre a guerra já ter pouco a ver com o que afirmou no discurso que o lhe conferiu o estatudo de celebridade - há 2 anos. Na verdade, há quem diga que é o exacto oposto. But who cares? Obama rocks. E tem o simbolismo, é o simbolismo. Muito pop, nem sequer é o pop da Paglia, pesado e pagão, é de plástico, mas tem simbolismo.

Eu até aprecio, e em parte partilho, as teses do Lipset sobre a particular condição do POTUS. Mas ele partia delas para admirar Roosevelt e Reagan, não qualquer produto trendy. Infelizmente, o presidente americano tem hoje imensos poderes - não só os executivos mas os decorrentes da preversão do papel dos representantes e dos partidos. E Obama, como outro, teria de os usar. Para quê? Bem, segundo o próprio, para ser racionalista (no sentido oakeshottiano). Para encontrar problemas e resolvê-los. Como? Multando as empresas que se deslocalizam, aumentando o salário mínimo federal, limitando a independência do banco central, reforçando o poder dos sindicatos, “protegendo” as empresas e os empregos americanos, banindo vendas de armas, apostando na “reabilitação” dos criminosos, subsidiando a pobreza, aumentando os impostos. E tem um plano (ah, os planos) de saúde que “will cover anyone”. Uma agenda que assusta qualquer pessoa dotada de um mínimo de bom senso.

O problema com estes produtos é que, pela sua própria condição, têm de acompanhar o zeitgeist e prescindir de quaiquer conservantes. Assim, sofrem de extrema perecibilidade. Ri imenso com esta notícia:

“Al Gore is like a rock star,” a woman in line gushes. “He’s the new Obama. New presidential candidate Barack Obama might not be finished being the current Obama, but these rabid Gore fans would prefer old Obama get out of Super Al’s way. I’m with Obama up until Gore announces, and then Obama gets bumped one notch down,” says 28-year-old college student Cris Nolan of Mundelein”.
http://www.dailyherald.com/opinion/constable.asp?id=320843

Delicioso, mas expectável. Afinal, o outro até tem um Oscar. Ah, é tão cruel o star-system! Al Gore is the new Obama!

Posto isto, não fico nada surpreendido que o Henrique Raposo e o Daniel Oliveira partilhem a escolha. E, se calhar, o Ocidente é mesmo cada vez mais isto. Eu é que cada vez mais gostava de ser tailandês.


publicado por Bruno Gonçalves
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
Em nome das relações luso-angolanas


Tenho uma vez mais de discordar do Tiago Mendes. O meu voto no concurso Miss Universo 2007 vai para a representante de Angola, Micaela Reis. Desculpem a insistência.


Segunda-feira, 28 de Maio de 2007
Heterofobia, só pode…
An Australian hotel catering for homosexuals has won the right to ban heterosexuals from its bars so as to provide a safe and comfortable venue for gay men.

In what is believed to be a first for Australia, the Victorian state civil and administrative tribunal ruled last week that the Peel Hotel in the southern city of Melbourne could exclude patrons based on their sexuality.

Na Reuters.

publicado por Bruno Gonçalves
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2007
Ron Paul vs. Rudy Giuliani


publicado por Bruno Gonçalves
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007
A profissão de Deus


“Deus vai fazer com que ela apareça”.


 


Mas a que propósito, se Ele não fez com que não desaparecesse?


 


Insistem em confundi-Lo com um bombeiro, polícia, médico.


 


Ele é apenas o Criador e que se saiba, sem contacto com o 112.



 


Nacionalizar a Igreja?
Uma das particularidades que mais me espanta nos anticlericais liberais, como é o caso do meu amigo Pedro Marques Lopes, é a fúria quase obsessiva que os move contra a capacidade da Igreja Católica de arrecadar receitas - muitas delas depois utilizadas para apoio aos mais pobres e desfavorecidos. Mas mesmo que não sirvam para fins humanitários, o que terá a Igreja de tão apelativo para suscitar tais raivas incontidas nos ateus ou agnósticos que se dizem liberais - para já não falar das esquerdas jacobinas? E qual será a solução alternativa: nacionalização das igrejas? Transformar a hierarquia religiosa em função pública? Deixem a Igreja trabalhar...

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2007
primeiro comentário à futura lei do tabaco


Por enquanto, estou-me nas tintas. Se o Cosmos não fizer qualquer sentido e ainda formos campeões, deixo de fumar. Está dito.

publicado por Alexandre Borges
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007
Franças

Caríssimo Miguel Morgado,



Já tive esta conversa várias vezes. Vou repeti-la consigo.



Um blog é um blog. Uma crónica é uma crónica e não um artigo analítico. Numa crónica, sacrifica-se o conteúdo no altar da forma. No dia em que um blog tiver notas de rodapé, deixa de ser blog. Dê-me o seu mail, trocaremos posts com notas de rodapé. Já tentei várias vezes. Em vão. Talvez seja V. o escolhido.



Eu não associei Blair ao Sarkozy. Apenas disse que há quem o faça. Tentei parvamente dizer que não é possível fazê-lo.



Eu não elogiei o Blair. Aliás, não gosto do Blair, precisamente pela sua cegueira na tal guerra ao terror, e pelas suas parvoíces internas (escolas de fé, por exemplo). Elogiei a Thatcher.



Critico correntes francesas da mesma forma que critico correntes americanas. Não há América, nem França. Há franças e américas. Não faço caricaturas. Aliás, critico mais correntes americanas que correntes francesas. As minhas grandes referências são francesas. É fácil ver quais são. Se quiser, o meu liberalismo é francês, apesar de só existir na prática nos anglo-saxónicos. O meu desespero com a França advém da paixão que tenho pela mesma.



V. pode fazer revisionismo o quanto quiser, acho muito bem. Mas não ver Rousseau na revolução francesa é revisionismo a mais.


Precisamente: é o carácter reaccionário de Rousseau que está em causa. Não há nada mais reaccionário do que a França que tem a vontade geral no neurónio.



Onde é que V. viu eu dizer que o Condorcet é a solução para França de hoje? O que disse, num palerma exercício, foi isto: o caminho dos concercet teria sido menos drástico do que o caminhos dos rousseaus aquando da revolução francesa. O caminho branco teria sido menos mau do que o caminho vermelho. Era este o exercício parvo de virtualidade histórica. Onde é que V. viu a minha predilecção pelos matemáticos-liberais para os dias de hoje? Mas não seja arrogante com o Condorcet. Já não é lido, mas há muita gente que, hoje, pensa daquela maneira. É um homem importante na história das ideias. Não devemos ler apenas aqueles que "venceram". Ou não?



Quando digo Montesquieu e afins digo pelo seguinte: a França é demasiado democrática e pouco constitucional. Aliás, como Portugal (esse país traduzido do francês, como há dias dizia Rui Ramos). Vive da rua e dos presidentes-rei, e não das instituições. Aliás, as instituições vão-se adaptando à rua e aos monarcas-presidente.



Ver Rousseau em Montesquieu! Sim, eu também vejo Bentham em Marx, mas há um mundo de diferença entre os dois. V. pode dizer o que bem quiser, mas há duas visões de política distintas em Rousseau e Montesquieu. V. faz-me lembrar aqueles jovens académicos que querem rever tudo, destruir todas as asserções e mitos. Acho muito bem. Só que que há asserções que são mesmo verdade. Matéria de facto.


O pensamento de Rousseau é complexo? Acha? Porquê? Foi complexo na busca da unidade, da não complexidade política? Eu diria que o pensamento de Rousseau é bem escrito... Encanta pela forma.



Agradecido por usar um post meu como referência para tamanha reflexão sobre as incapacidade da direita. Agradecido por usar um post meu para fazer uma caricatura da minha pessoa. Mas é mesmo para isso que serve a blogosfera. Sempre às ordens.



Saudações maquiavélicas,


Henrique Raposo

publicado por Henrique Raposo
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